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Nova metodologia deve ajudar projetos de conservação

postado por Alice| julho 26th, 2011 |Comentários 0 comentários

Quantificar a redução de emissões de gases do efeito estufa de iniciativas que reduzem o desmatamento não planejado vai ficar mais fácil e o mercado de carbono deverá se expandir em países na África, Ásia e América Latina
O desmatamento e a degradação florestal correspondem a aproximadamente 20% da emissão global de gases do efeito estufa – mais do que o setor de transporte do mundo inteiro, atrás apenas do setor de energia. Por isso é crucial focar em ações para a prevenção do desmatamento.
A nova metodologia – aprovada pelo Verified Carbon Standard (VCS) – permite aos projetos calcularem emissões evitadas por desmatamento tanto na borda (“de fronteira”) de grandes áreas, como por exemplo, em áreas agrícolas, quanto de maneira desigual (“mosaico”) dentro da floresta.
“Esta metodologia irá finalmente gerar um arranjo para recompensar atividades inovadoras que reduzem o desmatamento pelo mundo enquanto promove a conservação de hábitats naturais, criando empregos sustentáveis e contribuindo para o bem-estar de comunidades locais”, disse Ellysar Baroudy, Fundo Biocarbon do Banco Mundial. “Um exemplo do impacto que esta metodologia terá em comunidades locais é o inovador mecanismo financeiro estabelecido no projeto Ankeniheny-Zahamena em Madagascar, para financiar a proteção de 370 mil hectares de reservas naturais através da venda de créditos de carbono pelo o Fundo BioCarbon do Banco Mundial”.
Enquanto os VCS atualmente têm nove metodologias no escopo de Agricultura, Floresta e Uso do Solo (AFOLU, em Inglês) – incluindo três metodologias relacionadas a projetos de REDD – esta metodologia é mais amplamente aplicável, abrindo a porta para um crescente número de projetos de REDD como, por exemplo, da África, a qual oportunamente será considerada nas discussões de REDD+ nas negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima na próxima Conferência das Partes a ser realizada em Durban, na África do Sul, em Dezembro de 2011.

Fonte: www.institutocarbonobrasil.org.br

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Onde foi parar a tal da mudança climática?

postado por Jhulie| junho 2nd, 2011 |Comentários 0 comentários

Para quem acompanha o assunto, 2011 vem sendo incomum, pouco se falou em mudanças climáticas. E isso, no rasto do encontro de Cancún – considerado um sucesso relativo, após o fracasso de Copenhague, mesmo tendo deixado em aberto questões essenciais. E até agora, não faltaram enchentes e eventos meteorológicos extremos ao redor do mundo que diferentemente dos anos anteriores, não levaram a discussão de volta às manchetes.

Tudo bem, no Brasil, o assunto do ano no meio ambiente – de mérito inquestionável – tem sido a reforma do Código Florestal. Mas onde estão os discursos de líderes mundiais prometendo mudanças para proteger o planeta das mudanças climáticas?

Alguns até disseram que iriam investir pesado em energias renováveis, entre eles a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. O motivo? Bem, o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, assustou países que dependem em grande parte da energia nuclear.

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu uma longa entrevista à BBC. Quase meia hora sobre quase todos os assuntos. Quase, porque não disse sequer uma vez as palavras: “mudança climática” ou mesmo “aquecimento global”.

Enquanto isso, os chamados “céticos” continuam a expressar as suas opiniões – raramente baseadas em ciência robusta, mas ocupando o espaço que a imprensa lhes dá. Apesar do barulho que fazem, pouca coisa mudou no consenso da comunidade científica em torno do assunto, como mostrou um estudo australiano nesta semana (uma das poucas vezes em que mudança climática foi manchete neste ano).

Por onde anda a opinião pública? Essa é a pergunta que me faço. Considerando que pesos-pesados da política, que costumam pagar pequenas fortunas para saber o que os seus eleitores pensam, não têm tocado no assunto – Obama falou no máximo em política energética -, seria errado supor que o assunto ficou impopular?

Na semana que vem, representantes dos países que participam da convenção da ONU sobre mudança climática (UNFCCC) voltam a se reunir em Bonn para diminuir as distâncias entre as posições dos 192 países. Afinal, em dezembro, um novo encontro sobre o clima, dessa vez na África do Sul, deveria alinhavar um acordo global.

Alguém ainda se importa?

 

Fonte:  BBC Brasil, por Eric Camara.

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Mercados de carbono buscam caminhos alternativos

postado por Gabriel| abril 7th, 2011 |Comentários 0 comentários

Com a dificuldade de se chegar a um acordo global para lidar com as mudanças do clima, as diversas partes envolvidas com o comércio de créditos procuram maneiras diferentes para acessar os benefícios de uma economia de baixas emissões

Uma nuvem paira sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), com discussões como da elegibilidade dos projetos provenientes de países emergentes e sobre a forma que as Ações Nacionais de Mitigação (NAMAS) tomarão.

Na União Européia, maior mercado de emissões do mundo, existe questionamentos sobre a possibilidade de apenas serem aceitos projetos em países menos desenvolvidos, como muitos africanos, e no caso da América Latina, apenas o Haiti.

A implementação das NAMAs também pode aos poucos ir tomando o lugar do MDL nos países emergentes, como o Brasil, ao passo que o sistema de redução das emissões com base em fatores determinados setorialmente entra em vigor.

Arnold Dixmude, representante das políticas ambientais da Comissão Européia na América Latina, ressalta algumas vantagens da abordagem setorial versus MDL, como a garantia de um esforço de redução de emissões mais abrangente, a exigência de um esforço compartilhado onde as ações domésticas de cada país são complementadas pela ajuda externa e uma administração menos problemática.

“Não é provável que o MDL desaparecerá dos (países) emergentes, porém será mais restrito, provavelmente aos excluídos do esquema setorial”, reforçou Dixmude durante o evento Carbon Market Americas em São Paulo.

Neste cenário um tanto incerto, o mercado, cada vez mais fragmentado exige soluções diferenciadas. Para Maria Netto, da Unidade de Mudanças Climáticas e Energias Sustentáveis do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a responsabilidade dos governos é cada vez maior.

Tanto na parametrização das ações, no estabelecimento de benchmarks como no fornecimento de informações, o papel dos governos é essencial para auxiliar as empresas a terem posições mais claras em relação às oportunidades do cenário de carbono.

O papel do setor público através de políticas consistentes pode passar pelo estímulo e recompensa à melhoria na eficiência energética, promoção da abordagem setorial, desenvolvimento de programas que estimulem a participação do setor privado e no estabelecimento das NAMAs. Entretanto, em oposição ao que ocorre atualmente com os conflitos entre as mudanças no código florestal e os objetivos de redução do desmatamento determinados pela Política Nacional de Mudanças do Clima, as políticas têm que estar alinhadas entre si formando objetivos comuns. As grandes oportunidades atuais de redução das emissões, como no setor de transportes, dependem do engajamento do poder público.

Atualmente, a diversificação nas abordagens assumidas demonstra a força da iniciativa corporativa, como no caso citado por Maria do café colombiano que busca a neutralidade em carbono como uma forma de inserção no mercado.

Outro exemplo é o caso do Estado de São Paulo que está lançando este mês o seu esquema de comércio de emissões baseado na Politica Estadual de Mudanças Climáticas. Esta iniciativa importante no âmbito nacional já proporciona muitas oportunidades de projetos de empresas buscando se adequar às novas regras.

“Esta motivação que São Paulo nos proporcionou tem nos dado muito trabalho”, comentou Rodrigo Franco da empresa Carbon Market Consulting

Certificados de energias renováveis, como os negociados na India e nos Estados Unidos, também são alternativas interessantes que têm sido apresentadas regionalmente como forma de combater as crescentes emissões de GEEs.

Muito se fala também de acordos bilaterais, a exemplo do Japão que recentemente anunciou uma série de iniciativas neste sentido.

Para tornar a gama de informações sobre todas estas novas oportunidades disponíveis mais acessíveis aos latino-americanos, o BID está preparando um portal online chamado Finanzas Carbono. O site, em espanhol, contará com várias seções práticas sobre o mercado voluntário e compulsório de carbono.

A falta de informações tanto do setor público como privado ainda é um problema a ser superado no mercado brasileiro e na America Latina em geral para que a demanda existente no mercado seja atendida.

Consultorias brasileiras trabalharam em conjunto com a BM&F Bovespa e o Banco Mundial para a construção do ‘Projeto de Fortalecimento das Instituições e Infraestrutura do Mercado de Carbono Brasil’, que está disponível online na busca pela disseminação de informações práticas no país.

Fonte:Instituto CarbonoBrasil

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São Paulo apresentará inventário de Gases de Efeito Estufa

postado por Gabriel| abril 4th, 2011 |Comentários 0 comentários

O governo do Estado de São Paulo apresentará oficialmente no dia 20 de abril às 10 horas, no Anfiteatro Augusto Ruschi, o 1º Inventário Estadual de Gases de Efeito Estufa do Estado de São Paulo.

Elaborado por uma rede composta por instituições especializadas nos setores inventariados, diversos especialistas e coordenado pela CETESB/SMA, o Inventário Estadual é resultado de uma iniciativa inédita no Brasil de elaboração de um amplo e detalhado diagnóstico das emissões de gases de efeito estufa do Estado de São Paulo no período 1990-2008.

Instituído pela Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC – Lei Estadual nº 13.798/2009) e regulamentado pelo Decreto 55.947/2010, o Inventário Estadual foi desenvolvido com apoio da Embaixada Britânica no âmbito do Projeto “Apoio à Política Climática do Estado de São Paulo”, desenvolvido sob a responsabilidade do Programa de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo – PROCLIMA da CETESB.

O documento adota o mesmo método recomendado pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) para a elaboração de inventários nacionais, com adaptações para adequá-lo às condições objetivas de um governo estadual.

Ainda assim, buscou-se seguir fielmente as diretrizes gerais do método, visando à elaboração de um documento cujos resultados sejam comparáveis àqueles obtidos pelos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa. Seguindo a classificação utilizada pelo IPCC, o Inventário foi classificado em cinco grandes setores, de acordo com a origem das emissões: energia; processos industriais; uso da terra, mudança no uso da terra e florestas; agropecuária e resíduos.

Mais informações e inscrições para a apresentação http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/eventos/inventario/default.asp

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

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Mudanças climáticas podem colocar em risco a viabilidade da usina de Belo Monte

postado por Gabriel| abril 1st, 2011 |Comentários 0 comentários

Belo Monte, um empreendimento hidrelétrico que consumirá mais de R$ 20 bilhões para sua construção, poderá no mais drástico dos cenários de alterações climáticas perder mais de 80% de sua receita anual até 2050, como resultado da diminuição da vazão do Rio Xingu.

Imagem: consciencia.net

Isso é o que apontam dados preliminares de um estudo em desenvolvimento pelo WWF-Brasil no âmbito da parceria HSBC Climate Partnership por consultores especializados em hidrologia e mudanças climáticas. O estudo analisa a vulnerabilidade climática da produção de hidroeletricidade na região Norte do país com enfoque em alguns grandes empreendimentos como a usina hidrelétrica de Belo Monte.

“As prováveis mudanças na vazão do Rio Xingu, provocadas pelas alterações climáticas, colocarão em risco a viabilidade da usina de Belo Monte”, afirmou Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. “Belo Monte pode gerar muito menos energia do que o previsto e muito menos receitas do que o esperado, tornando-se um fracasso financeiro”, acrescentou. “Os altos custos sociais e ambientais, aliados aos riscos financeiros, deveriam levar o Governo Brasileiro a uma ampla reflexão sobre a viabilidade da obra”, concluiu Rittl.

O estudo, a ser lançado ainda este ano, considerou quatro cenários de emissões futuras estabelecidos pelo IPCC – A1, A2, B1 e B2 – cada qual descrevendo um futuro possível para a humanidade e a curva de emissões globais resultantes. A aplicação de modelos climáticos dentre os mais robustos existentes, como o HadCM3 do Hadley Centre (Reino Unido) ou o ECHam4 do Max-Planck-Institute für Meteorologie (Alemanha), aos quatro cenários permite identificar a possibilidade de uma diminuição significativa na vazão da bacia do rio Xingu até 2050. Apesar de certa variabilidade nos resultados – alguns poucos mostram ganhos de receita que chegam a 4% até 2050, enquanto outros mostram uma queda bruta na receita chegando a quase 90% -, uma forte tendência é evidente: as perdas podem variar entre 4 e 10% da receita anual da usina até 2050.

De acordo com Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de Conservação do WWF-Brasil, as variações climáticas futuras não estão sendo incorporadas da forma devida no planejamento energético e na análise de viabilidade de projetos hidrelétricos na Amazônia Brasileira. “Tivemos duas secas muito severas na Amazônia em menos de dez anos, em 2005 e 2010. Temos de tirar lições destes eventos climáticos extremos e, de uma vez por todas, inserir a variável climática no planejamento da expansão da produção de energia no país. Com isso, ficaria ainda mais clara a atratividade da eficiência energética e de outras energias renováveis não-convencionais, como a energia eólica, a solar e a de biomassa. Havendo investimentos, estas alternativas podem gerar energia suficiente para atender as necessidades de crescimento econômico do Brasil, minimizando os riscos climáticos dos empreendimentos hidrelétricos”, concluiu Scaramuzza.

“O governo tende a considerar os projetos hidrelétricos um a um, o que é ineficiente sob aspectos econômicos, sociais e ambientais”, afirmou Denise Hamú, Secretária-Geral do WWF-Brasil. “Para viabilizar a Usina de Belo Monte, os riscos da obra foram socializados para atrair investidores. Os dados preliminares deste estudo indicam que os riscos financeiros podem ser ainda maiores do que aqueles originalmente previstos e isto torna evidente a necessidade de um olhar macro sobre o potencial, as vantagens e os riscos sociais e ambientais associados à expansão da produção de energia”, conclui Hamú.

O WWF-Brasil considera fundamental que a expansão da produção de energia hidrelétrica seja feita a partir de um olhar sobre toda a bacia Amazônica. É necessária uma análise integrada de cada bacia hidrográfica, considerando-se os riscos sociais e ambientais em toda a extensão dos rios, que são sistemas naturais contínuos, e não apenas das áreas de entorno dos projetos hidrelétricos.

Fonte: CicloVivo

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Congresso vai definir composição da comissão de mudanças climáticas

postado por Gabriel| março 31st, 2011 |Comentários 0 comentários

Grupo, composto por 12 deputados e 12 senadores, realizará a eleição na próxima quarta-feira, 30 de março, em Brasília.

A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas se reunirá na próxima quarta-feira, 30 de março, para instalação do colegiado e eleição do presidente, do vice-presidente e do relator. A comissão será composta por 12 deputados e 12 senadores, que se reunirão no plenário 2 da ala Nilo Coelho do Senado Federal, em Brasília (DF).

Em funcionamento desde 2009, a comissão tem realizado diversas audiências públicas para discutir assuntos relativos a mudanças climáticas. Entre os temas, estão a regulamentação do mercado de carbono no Brasil, a estruturação e desenvolvimento de mercado voluntário de carbono específico para o estado do Amazonas, e mudanças climáticas e desertificação no estado do Ceará.

Fonte: Agência CanalEnergia

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Participe da hora do planeta!

postado por enerbio| março 24th, 2011 |Comentários 0 comentários

O que é?

A Hora do Planeta é um ato simbólico, promovido no mundo todo pela Rede WWF, no qual governos, empresas e a população demonstram a sua preocupação com o aquecimento global, apagando as suas luzes durante sessenta minutos.

Quando?

Sábado, dia 26 de março, das 20h30 às 21h30. Apague as luzes para ver um mundo melhor. Hora do Planeta 2011.

Onde?

No mundo todo e na sua cidade, empresa, casa… Em 2010, mais de um bilhão de pessoas em 4616 cidades, em 128 países, apagaram as luzes durante a Hora do Planeta. Em 2011, a mobilização será ainda maior.

Fonte: http://www.horadoplaneta.org.br/index.php

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Pobre também deveria ter painel solar, diz secretário do Clima

postado por enerbio| março 22nd, 2011 |Comentários 1 comentário

O novo secretário nacional de Mudança Climática, Eduardo Assad, tem dois recados para os empresários do país: se quiserem investir em energia alternativa, haverá crédito barato do governo. Se não quiserem, vão ter de investir do mesmo jeito.

Engenheiro com doutorado em hidrologia, o pesquisador da Embrapa Informática assumiu o cargo na semana passada, com carta branca da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) para formular a política climática.

Ele diz que o recém-criado Fundo Clima, que começa neste ano com R$ 229 milhões, será o principal incentivador do desenvolvimento de tecnologias como energia solar, de marés e biodiesel.

Embrapa/Divulgação

Mas avisa que essas mesmas linhas de crédito devem abrir no governo o debate sobre restrições a financiamento para quem não quiser adotar tecnologias limpas. “Soltou-se essa lebre”, afirma.

Um entrave sério, para ele, é a maneira de pensar em energia no Brasil. “Num país cuja mentalidade de geração de energia nos últimos 50 anos foi hidrelétrica, você tem posições que são refratárias imediatamente”, diz.

“Se eu puder tomar meu banho com energia solar, será um passo razoável. Isso não é novo: a classe média alta em todas as cidades brasileiras já faz isso. Por que o pobre não pode fazer?”

Folha – O que muda na secretaria de Mudança Climática?
Eduardo Assad – Estamos num processo de discussão. Hoje a secretaria se chama Secretaria de Mudança Climática e Qualidade Ambiental, provavelmente vai se chamar Secretaria de Mudança Climática e Recursos Hídricos, talvez florestas, para você ter mais aderência nessas questões todas. Uma das nossas missões é acompanhar o desmatamento. Outra é acompanhar políticas para reduzir desertificação. Acompanhar reduções de gases de efeito estufa. Discutir, acompanhar e participar dos sistemas de alerta.

Existe uma previsão no Fundo Clima de recursos para pesquisa em energia solar. Mas é pouco, não?
É pouco. Mas a boa notícia é que agora tem. Vamos competir com o setor elétrico? Absolutamente! O que nós queremos é que, naquelas regiões do Brasil onde você tem problemas de distribuição, áreas pequenas, municípios com 5.000, 10 mil habitantes, por que não utilizar energia solar, pelo menos para aquecer a água? Isso não pode ser uma opção somente das áreas urbanas, da classe média alta. Por que o pobre não pode usar coletor solar?

O Brasil tem condições hoje de usar energia fotovoltaica?
Tem. Existe um grupo no Rio Grande do Sul que desenvolveu um material muito legal e bastante eficiente. Então vamos agitar isso para encontrar soluções que falem, por exemplo, de refrigeração solar para preservar alimentos no sertão? Isso não é novo, é do meu tempo de estudante. É caro? É caro. Mas nas áreas mais afastadas dos grandes centros talvez não seja tão caro.

Vamos começar pelo começo, por aquelas áreas onde você pode fazer isso de uma forma mais eficiente. Isso gera demanda de pesquisa, de novos materiais, de eficiência. E você vê a partir daí se é possível.

Num país cuja mentalidade de geração de energia nos últimos 50 anos foi hidrelétrica, obviamente você tem posições que são refratárias imediatamente. E cálculos enormes dizendo que não é isso, que não é aquilo…

Quando você discute essas coisas, tem de olhar para o futuro, num horizonte de 40 anos, de 50 anos. Só que 30 anos atrás já se falava disso. E não se fez. Outra coisa importante: 8.000 km de costa e você não tem energia de marés. Por quê?

Também existem populações na beira do mar que têm dificuldade de ter energia. E é um absurdo não ter nenhum protótipo instalado. A iniciativa privada não quer? Tá bom, o governo quer.

E o Brasil comprou um protótipo da Alemanha?
Não sei se da Alemanha, mas comprou de fora.

Não é um pouco ingênuo achar que só porque existe dinheiro e expertise no país o negócio vai ser feito? Nosso empresariado é cronicamente ruim de inovação.
Vamos dizer que nós estamos mais ou menos na situação em que os EUA estavam em 1930, 1940, quando se decidiu que todos os equipamentos usados em ciência e tecnologia deveriam ser americanos. No momento em que isso foi feito, várias indústrias cresceram. Nós em grande parte perdemos esse “timing” no Brasil. Mas o governo pode sinalizar que está trabalhando nessa linha, energia renovável. Se eu coloco esse dinheiro a juros de mercado, ninguém vai pegar. Então nós vamos atrair recursos para isso.

Mas não basta oferecer a cenoura do juro barato, é preciso dar o chicote da regulação.
Vamos tentar pensar na posição mais favorável, não na cobrança, mas no incentivo: você tem de um lado esse incentivo, de outro um programa imenso no MCT de inovação, que precisa de recurso nosso para avançar.
Alguns exemplos importantes no Brasil surgiram nessa linha de energia. O exemplo de São Paulo e de Gramacho, do aterro sanitário, é fantástico. Você recicla, gera energia e atende 600 mil pessoas. É o melhor dos mundos. Dentro da lógica da redução de emissões, opções novas vão ter de surgir. Jogar pedra em energia solar, isso se faz há 30 anos.

Fonte: Folha Online

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Crise nos ecossistemas vai além do aquecimento global

postado por Gabriel| março 21st, 2011 |Comentários 0 comentários

Pesquisadores apontam que quanto maior a intervenção humana em um determinado ecossistema, menor é a sua capacidade de resistir ao aumento das temperaturas, por isso é importante combater outros fatores e não apenas as mudanças climáticas

Se os recifes de corais não estivem sendo pressionados pela poluição, sobrepesca, recreação e desenvolvimento costeiro, talvez muitos deles não morreriam com o aquecimento global / Lucas Bittencourt Müller

Nos dias de hoje a tendência é culpar o aquecimento global por todas as catástrofes e fenômenos naturais que não estamos acostumados a presenciar. Porém, o conhecimento que o ser humano tem dos diferentes sistemas terrestres ainda é pequeno diante da complexidade das interações químicas, físicas, biológicas e especialmente dos efeitos que as diversas atividades antrópicas têm sobre estas interações.

Muitos estudos indicam que sim, o clima está mudando e muito provavelmente o crescimento desenfreado da população humana tem muito a ver com isso, mas nem tudo é culpa apenas do dióxido de carbono que liberamos na atmosfera.

A intensidade do aquecimento global e seus efeitos dependem também do estado em que se encontram os diferentes ecossistemas terrestres, ou seja, qual o nível de stress que eles têm sido submetidos. Quanto maior a intervenção humana em um determinado ecossistema, menor é a sua capacidade de resistir ao aumento das temperaturas.

Isto é o que argumenta a cientista Camille Parmesan, Bióloga de Populações da Universidade de Austin e uma das autoras de um artigo publicado na última edição da revista Nature Climate Change.

Ela cita o exemplo dos recifes de corais, que infelizmente estão cada vez mais se tornando manchete devido ao estado crítico de conservação em que se encontram. Se os recifes de corais não estivem sendo pressionados pela poluição, sobrepesca, recreação e desenvolvimento costeiro, talvez muitos deles não morreriam após eventos de temperaturas altas.

Outros fatores que influenciam no stress dos ambientes naturais e reduzem a sua resiliência são a fragmentação de habitats, presença de espécies exóticas (como Pinus e Eucalyptus, muito comuns no Brasil), eliminação de predadores e muitos outros.

O artigo alerta que muitas pesquisas estão tentando atribuir diretamente ao aquecimento do clima a culpa por determinadas mudanças locais na distribuição de espécies e biodiversidade, o que pode acabar sendo uma análise muito superficial, a menos que se tenha uma série temporal de dados significativa.

Camille explica que ligar mudanças observadas ao componente humano do aquecimento global requer uma escala diferente, o que é mais bem feito com grandes áreas, por exemplo o norte europeu ou oeste dos Estados Unidos.

“Quanto mais local a escala que você considera, se torna mais difícil atribuir eventos individuais às mudanças climáticas globais induzidas pelos gases do efeito estufa”, completa citando o caso de um estudo com borboletas que abrange toda a Europa. Este estudo, segundo ela, demonstra efetivamente como dois terços das borboletas européias em alguns países estão mudando em direção ao norte.

Degelo

Um fato que corrobora com o alerta dos pesquisadores da Universidade de Austin é a notícia vinda da África que na realidade as previsões de degelo total do Monte Kilimanjaro até 2015 não estão se confirmando.

Um dos pesquisadores que participou do artigo publicado na revista Science em 2001, Douglas R. Hardy da Universidade de Massachussets, assumiu que não deveriam ter feito a previsão sem séries de dados temporais significativas.

“Não compreendíamos muito sobre os processos complicados no pico como sabemos agora”, explicou Hardy completando que as geleiras ainda estão diminuindo, mas não se tem certeza quantas décadas ainda podem persistir, talvez duas ou até cinco, comentou.

As pesquisas ao longo dos últimos dez anos demonstraram que o gelo está diminuindo em relação à área abrangida, porém não tanto em relação à espessura, o permite que persista por mais tempo.

“Ciência é e sempre foi um trabalho em evolução”, comentou o autor principal do artigo e geocientista da Universidade do Estado de Ohio Lonnie G. Thompsom. “Como cientistas, publicamos os dados baseados na melhor compreensão das informações naquela época”.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil

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Rio+20 representa chance na luta contra pobreza, diz ONU

postado por enerbio| março 11th, 2011 |Comentários 0 comentários

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

As Nações Unidas acreditam que a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável Rio + 20, oferecerá uma chance na luta contra a pobreza. A reunião está marcada para junho de 2012, no Rio de Janeiro.

A afirmação foi feita pelo subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais, Sha Zukang, em entrevista a jornalistas nesta terça-feira, em Nova York.

Acordo

Segundo ele, o encontro tentará fechar um acordo de transição para a “economia verde” que deverá ajudar a reduzir o número de pobres no mundo.

O subsecretário-geral falou após dois dias de reunião da Comissão Preparatória da conferência, na sede da ONU. Segundo analistas, a Rio + 20 também será uma oportunidade de troca de experiências sobre iniciativas de energia limpa entre vários países.

Um dos participantes do evento, o especialista de mercados, e ex-analista do Banco de Investimento Português, Dirk Schnittker, falou à Rádio ONU sobre o interesse de empresas estrangeiras no setor energético brasileiro.

Energia Eólica

“O problema é que a tecnologia verde, am alguns casos, ainda é cara. Então, muitas vezes sai mais barato utilizar o carvão que a energia solar ou eólica. O Brasil é muito verde em várias coisas, como eletricidade. Para as empresas estrangeiras, existem projetos muito grandes como hidrelétricas, energia eólica e até o petróleo, cuja área ainda não está muito verde”, afimou.

A Rio+20 vai marcar os 20 anos da realização da ECO-92. Zukang afirmou que “não se pode esperar mais outros 20 anos” para se alcançar um compromisso.

Fonte: UNIC Rio de Janeiro

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