Em setembro, a revista Brasil Sustentável trouxe uma entrevista com os principais candidatos à presidência sobre como eles pretendiam avançar rumo à economia verde. Com a eleição de Dilma Rousseff, as propostas tornaram-se compromissos, que lembramos aqui.
No início da entrevista, Dilma Rousseff afirma que vai “perseguir” o modelo de desenvolvimento do governo Lula, ou seja, o de buscar crescer com distribuição de renda e sustentabilidade ambiental. Para isso, ela diz ser fundamental “avançar na agenda da sustentabilidade em todos os segmentos de políticas públicas”. A seguir, os compromissos assumidos por ela em algumas áreas fundamentais da nossa economia.

- Construção civil
“Devemos buscar maior eficiência na construção civil, com empregos verdes, eficiência energética, certificação de madeira, redução nos custos socioambientais da construção e da manutenção. Por isso, previmos que os dois milhões de moradias populares a serem construídos a partir de 2011 pelo programa Minha Casa Minha Vida terão aquecimento solar.”
- Agricultura
“Devemos valorizar o desenvolvimento tecnológico para o incremento da agricultura, em particular para o aumento da produtividade e a redução de custos, assegurando a expansão da produção de alimentos sem provocar novos desmatamentos. No Plano Safra 2010/2011, em linha com as propostas defendidas pelo Brasil na COP-15, criamos o Programa Agricultura de Baixo Carbono, para apoiar o plantio direto e aumentar a utilização do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta” (tecnologia que permite integrar culturas agrícolas, gado e floresta a partir da sincronização das etapas de produção). “Estamos implementando programas de recuperação de áreas degradadas, como é o caso do Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma, lançado na Amazônia e no Nordeste.”
- Energia
“O Brasil deve manter a sua matriz energética limpa, incrementando a participação das fontes renováveis, hidroelétrica, biomassa, eólica e solar. No PAC2, previmos investir R$ 9,7 bilhões, entre 2011 e 2014, em fontes alternativas, em especial eólica e biomassa. É possível promover geração de eletricidade de forma sustentável, reduzindo os custos sociais e ambientais, como é o caso da Usina Dardanelos, em Mato Grosso, concebida como usina de fio d’água, ou seja, aproveitando a vazão constante natural do rio, sem precisar represar a água.”
- Mudanças climáticas
“Quero reiterar o compromisso com a implementação da Política Nacional de Mudanças Climáticas, bem como com a consolidação dos acordos setoriais no âmbito do Plano Nacional de Mudanças Climáticas*. O grande avanço que tivemos nestes oito anos, e que continuará sendo a marca da nossa gestão, será vincular as questões social e ambiental. Consolidar esse modelo de desenvolvimento
nos levará a uma situação de maior justiça social, de valorização dos nossos recursos naturais e de preservação da nossa biodiversidade.”
* No dia 9 de dezembro, o Diário Oficial da União publicou o decreto nº 7.390, regulamentando os artigos 6º, 11 e 12 da Lei no 12.187, de 29 de dezembro de 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC. O decreto trata também da elaboração dos planos setoriais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, determinando que eles sejam elaborados até o dia 15 de dezembro de 2011.
- Gestão
“A nova política de resíduos sólidos também nos dará, nos próximos anos, oportunidade única de estabelecer parcerias para a construção de soluções permanentes em torno da eliminação dos ‘lixões’, do reaproveitamento e da reciclagem dos resíduos sólidos, da consolidação de cooperativas de catadores e da adoção da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.
“Nos próximos anos, o Brasil tem o desafio de aproximar a gestão pública ambiental da gestão ambiental privada, construindo as novas bases para a sustentabilidade. Entendo que os compromissos devem ser públicos, transparentes e voltados para uma realidade que viabilize o alinhamento de todos em torno da sustentabilidade do desenvolvimento, da transição para uma economia de baixo carbono e da conservação da biodiversidade, segundo uma abordagem de valoração dos ativos e dos serviços ecossistêmicos.”
- Biodiversidade
“Precisamos consolidar o marco regulatório sobre pagamento por serviços ambientais, ampliar o mercado para os produtos da cadeia da sociobiodiversidade e induzir novos mercados para o uso sustentável dos nossos recursos naturais. O mesmo deve ocorrer na repartição dos benefícios do acesso aos recursos da biodiversidade. É necessário, ainda, apropriar-se da economia dos ecossistemas e da biodiversidade para incrementar o fluxo de recursos, consolidar o nosso sistema de áreas protegidas e aperfeiçoar a formulação de políticas públicas sobre o uso da terra.”
Fonte: Assessoria de Imprensa do CEBDS
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