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Japão quer novo esquema de compensação de CO2 para complementar plano da ONU

postado por Gabriel| março 2nd, 2011 |Comentários 0 comentários

A ideia do Japão para um novo esquema de compensação de carbono complementaria o mecanismo existente na ONU e tornaria mais fácil aos países em desenvolvimento o acesso à tecnologia japonesa de energia limpa, afirmou um representante de assuntos climáticos na quarta-feira.

O Japão prosseguiu com planos para acordos bilaterais, nos quais investiria em projetos de energia limpa em países em desenvolvimento, para trocar por créditos para alcançar parte das metas de redução de gases de efeito estufa (GEEs) de seu território.

As Nações Unidas operam um esquema de compensação de carbono chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), mas este tem sido criticado por ser muito complexo e rígido, e por levar muito tempo para aprovar projetos.

Muitos países em desenvolvimento já expressaram interesse pelo esquema bilateral proposto pelo Japão, que poderia ser mais acessível que o MDL, disse Kenji Hiramatsu, diretor geral para assuntos globais do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão.

“Nós estamos muito atentos ao que este mecanismo pode contribuir para complementar o sistema internacional de comércio de carbono”, afirmou Hiramatsu em um seminário realizado por um grupo de pesquisa japonês.

“Como o mecanismo será conectado ao sistema internacional, ou sistema MDL, nós ainda estamos discutindo entre nós, mas eu estou convencido que algum mecanismo deve ser elaborado”.

A Europa, cujo esquema de comércio de emissões domina o mercado de carbono mundial, também está considerando a possibilidade de acordos de compensação bilaterais, enquanto os Estados Unidos também propuseram uma ideia para pactos bilaterais.

Mas alguns países podem achar tecnicamente difícil lançar mecanismos ajustados ao mercado fora da estrutura existente na ONU, afirmou um representante do clima das Nações Unidas.

“Eu não vou dizer que é impossível, mas eu acho que é muito complicado fazer isso”, disse Christiana Figueres, diretora da secretaria de mudanças climáticas da ONU, referindo-se aos mecanismos propostos pelo Japão e pelos Estados Unidos.

“Isso provavelmente vai complicar desnecessariamente a vida desses países. Talvez seja possível, mas não fácil de fazer. Eu não sei se haveria vontade política também”.

Figueres, que está no Japão para uma reunião informal com representantes do clima de cerca de 30 países, acrescentou que limites na conversibilidade poderiam reduzir o apelo desses esquemas quando comparados ao plano global de comércio de carbono submetido ao Protocolo de Quioto.

Hiramatsu afirmou que estava aberto a uma discussão de como aperfeiçoar o esquema MDL.

“Eu entendo que alguns elementos do Protocolo de Quioto deveriam ser incorporados a uma nova estrutura”, disse.

“Nós estamos muito felizes de nos comprometermos nesse tipo de discussão, de como melhorar o MDL, o que pode gerar algumas novas ideias como um mecanismo de compensação bilateral ou mesmo um tipo de mecanismo regional em um sistema de comércio de carbono”.

Retirado de: Instituto CarbonoBrasil
Tradução: Jéssica Lipinski
Fonte original: Reuters
Leia na íntegra (inglês)

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As opções para compensar os impactos

postado por Gabriel| janeiro 10th, 2011 |Comentários 0 comentários

Depois de realizado o inventário das emissões de CO2, a empresa depara com as três principais possibilidades de compensação

Transformar as emissões de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera em um benefício para o planeta. A ideia do método que compensa é suprir, de alguma forma, o impacto gerado pelas empresas. Do plantio de árvores até o investimento em energia limpa, o esforço é para dar um destino mais nobre às toneladas de carbono diagnosticadas no inventário. A escolha pelo método de compensação, porém, é uma decisão da empresa.

O critério que une as três principais formas de compensação é a adição de uma ação.

– Para compensar é preciso investir em algo realmente novo que beneficie o planeta – diz Eduardo Baltar da Enerbio.

Indo além da compensação, muitas empresas estão se mobilizando para aumentar a eficiência de seu processo produtivo, produzindo mais com menos gases liberados na atmosfera. É o caso da Natura que, além de compensar suas emissões, aderiu ao programa Defensores do Clima do WWF-Brasil. Agora, o compromisso da empresa é reduzir em 33% as emissões relativas até 2011 e em 10% as emissões absolutas até 2012.

Plantio de árvores

Embora seja uma das opções mais conhecidas e difundidas para a compensação de emissões de carbono, o plantio de mudas, quando realizado da forma correta, exige muito cuidado por parte da empresa. Na Enerbio, são exigidos de cinco a dez anos de monitoramento das árvores após o plantio. Além disso, solo, clima, tamanho e espécie das árvores também são considerados no calcular da compensação.

Ainda assim, a ação não é imediata nem linear. Se as plantas forem monitoradas por menos tempo, um ano, por exemplo, terão de ser plantadas mais mudas. Muitas empresas optam por essa possibilidade, mesmo com as dificuldades impostas pelo monitoramento constante e pela necessidade de área adequada próxima à sede da organização. Uma das justificativas é que o benefício do plantio de mudas para a imagem da empresa é imediato.

A empresa de segurança patrimonial Protecães optou por uma compensação diferente para o inventário de 2009. Além do plantio de árvores em parques e praças públicos de Cachoeirinha e Gravataí, também adquiriu créditos em um projeto de energia renovável. Somadas, as duas ações devem alcançar 375 toneladas de carbono.

Compra de créditos de carbono

Para adquirir créditos, as empresas têm duas possibilidades. O mercado regulado, formado pelos mecanismos do Protocolo de Kyoto, e o voluntário.

No primeiro caso, o protocolo permite a participação do Brasil por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Nele, as empresas com projetos que reduzam as emissões e tenham as suas metodologias de redução aprovadas pela ONU podem vender crédito para outras empresas. Mesmo com preço mais alto, essa opção pode agregar mais valor, pois tem mais credibilidade. Hoje, a cotação de um crédito de carbono via MDL está em torno de 12 euros. Cada crédito equivale à redução de uma tonelada de CO2.

Já no mercado voluntário, em que as empresas operam transações de redução de emissões sem a supervisão da ONU, o preço é um pouco menor e mais variável. Um crédito pode ser vendido por R$ 5 ou R$ 20, dependendo do projeto.

A unidade da ThyssenKrupp Elevadores em Guaíba (RS), por exemplo, começou a compensar seu inventário em dezembro de 2010. Por meio do Voluntary Carbon Standard, adquiriu 2.130 créditos em um projeto de energia renovável na cidade de Pinhal da Serra.

Um novo investimento

Para compensar os gases que libera na atmosfera, uma empresa pode investir em um projeto que compense suas emissões. O novo investimento pode ser relacionado ou não com a área de atuação da empresa. O importante é que seja algo novo e que reduza, de alguma forma, as emissões.

Investimentos em energia limpa como parques eólicos ou placas de energia solar são boas opções. Ações de cunho social como educação ambiental ou preservação de animais não são compensadores, no entanto, podem ser desenvolvidas de forma paralela a outro projeto. Muitas empresas optam por mantê-las em paralelo para reforçar a imagem positiva com o público.

A instalação de um centro de coleta e reciclagem para resíduos também é um exemplo de investimento que compensa as emissões de uma empresa. Para que o empreendimento valha como compensador, é preciso seguir critérios rigorosos e passar por uma auditoria. Todo esse processo costuma custar mais caro do que plantar árvores ou comprar créditos de carbono.

Fonte: Zero Hora, Nosso Mundo Sustentável (Matéria de Capa), 10/01/2011.

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