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Palitinhos chineses, uma tradição nada ecológica

postado por Gabriel| março 10th, 2011 |Comentários 0 comentários

O povo chinês usa os palitos para comer há três milênios, mas nos últimos anos, por causa da saúde pública, em quase todos os estabelecimentos são utilizados descartáveis. Para sua elaboração são consumidos 1,6 milhão de metros cúbicos anuais de madeira, principalmente de álamo e bétula.

“Antes tínhamos palitos não descartáveis de bambu, mas deixamos de utilizá-los porque os clientes não os queriam por higiene”, assegura à Agência Efe uma funcionária de um restaurante chinês em Pequim, a senhora Dang, enquanto anota pedidos nos quais inclui vários pares de palitos descartáveis em cada um.

Este estabelecimento cumpre com os padrões de qualquer típico restaurante chinês de baixo custo: é pequeno, tem mesas e cadeiras baixinhas e os clientes deixam o lugar pouco mais de 20 minutos após chegar.

Os garçons saem a todo instante com pratos recém feitos da cozinha, que os clientes podem ver a partir de seu assento. O fluxo de comensais é contínuo e o estresse reina entre as fornalhas, por isso que não há tempo para esfregar ou os usuários não acreditam que os palitinhos estejam suficientemente limpos.

A funcionária do restaurante conta que eles limpavam os palitos em uma máquina de lavar pratos onde se esfrega o resto das louças, mas depois do pedido de seus clientes começaram a utilizar os descartáveis, que após serem usados não são reciclados.

Herança da cultura japonesa

Como este restaurante há milhares em Pequim e em toda a China, e o uso dos descartáveis, frente ao uso de outros de bambu, metal, plástico ou madeira reciclável, entre outros, é herança de duas décadas da cultura japonesa, acostumada a usar este tipo de palito, prático para a vida acelerada de suas cidades.

“É um símbolo do rápido desenvolvimento e urbanização da China”, assinala a organização ambientalista Greenpeace à Agência Efe, um conceito ligado ao crescimento que experimenta este país há 30 anos, quando se implantou uma política de abertura econômica que neste curto período de tempo lhe permitiu se transformar em uma potência econômica mundial.

O Greenpeace assegura que o consumo anual de madeira para a produção de palitos descartáveis na China, principalmente de álamo e bétula, é de 1,6 milhão de metros cúbicos, ou o que é o mesmo, tanta quantidade como para encher 553 piscinas olímpicas.

Por sua vez, a Associação de Palitos da província de Heilongjiang (nordeste da China) situa este consumo em 1,2 milhão de metros cúbicos ao ano, dos quais 200 mil procedem de árvores russas.

Este grupo assinala que com tal quantidade acontecem na China 50 bilhões de pares de palitos descartáveis ao ano, um número que se traduz em oito vezes a população mundial.

Condenações aos descartáveis

O Ministério de Comércio chinês, junto com outras cinco pastas governamentais, anunciaram em meados deste ano que iam penalizar as companhias que fabricam palitos e outros utensílios descartáveis para frear sua produção.

No entanto, o presidente de uma fábrica de palitos descartáveis da província de Heilongjiang, Zhang Rui, assegura à Agência Efe meses depois do anúncio desta medida que não lhe foi notificada nenhuma sanção, e Greenpeace também afirma que o Ministério não divulgou detalhes, como algum tipo de imposto a implantar.

Contatada pela Agência Efe, a pasta chinesa de Comércio ainda não respondeu às questões acerca do tipo de medidas que vai tomar para frear a produção dos descartáveis.

Em 2004, o Governo comunista cancelou a devolução de impostos a estes fabricantes e começou a arrecadar 17% de IVA, e em 1° de abril de 2006 implantou 5% de imposto de consumo e em 1° de novembro desse mesmo ano aplicou um imposto de 10% à exportação.

A China é o maior produtor de palitos descartáveis do mundo, mas não o principal consumidor, já que esse posto é ocupado pelo Japão, seguido do gigante asiático, Coreia do Sul e Estados Unidos, segundo dados da Associação de Palitos de Heilongjiang.

Da produção da China, 60% é exportada para cerca de 30 países e regiões, e é o Japão o país que mais os compra.

Entre os usuários destes palitos, há quem os preferem, como os clientes do restaurante onde trabalha a senhora Dang que os solicitaram, e outros que não.

É o caso do motorista de Pequim Zhang Yong Kun, cliente que assegura ser consciente com o meio ambiente e que por isso prefere usar palitos não descartáveis, como faz em sua casa, que os utiliza de bambu ou madeira não descartável.

“Os descartáveis são mais higiênicos, mas na maioria dos restaurantes há máquinas de lavar pratos desinfetantes, por isso que nestes é melhor utilizar os não descartáveis”, conta à Efe neste estabelecimento, após comer tortas fritas de carne e partir em dois os palitos descartáveis que tinha utilizado ao término de seu almoço.

A dois quilômetros deste restaurante se encontra uma das áreas de lazer mais luxuosas de Pequim, Sanlitun, na qual há dezenas de restaurantes que, ao contrário do anterior, onde uma pessoa pode comer por 15 iuanes (US$ 2,25), seu preço mínimo a pagar por cabeça é de 70 iuanes (US$ 10,5).

Um destes estabelecimentos é o japonês Hatsune, no qual os clientes comem com palitos de madeira não descartáveis.

“Nossos clientes não têm nenhum problema em utilizar este tipo de palitos. Pertencem a uma classe social alta e são conscientes com o meio ambiente”, explica à Efe o encarregado da compra de pratos e palitos do Hatsune, Zhang Hongkuan.

Segundo Zhang, os palitos neste restaurante são primeiro limpos pelos funcionários e depois introduzidos em máquinas de lavar pratos.

Greenpeace, atrás da conscientização
Apesar de o consumo de madeira para a produção de palitinhos descartáveis representar, segundo dados do Greenpeace de 2007, 0,44% do consumo total anual na China, que chega a 371 milhões de metros cúbicos esse ano, esta organização ressalta a importância de se conscientizar na proteção do meio ambiente os cidadãos consumidores deste tipo de palitos.

Um censo florestal de 2006 aponta que a superfície de florestas na China, com uma extensão similar ao do continente europeu, é de 18,21% e entre 2004 e 2008, de acordo com o sétimo inventário nacional florestal do estado e recursos das florestas, mais de oito milhões de hectares foram reconvertidos para outros usos, desde a agricultura à indústria.

O presidente da Associação de Palitos de Heilongjiang, Liang Guang, assegura que a produção de palitos não descartáveis não tem relação direta com o desmatamento na China.

“A produção de palitos descartáveis é uma utilização eficiente e razoável dos recursos florestais”, explica para acrescentar: “O álamo e a bétula são duas árvores com menos valor econômico, que se reproduzem e crescem rápido e nunca são cortadas depois que completam 30 anos”.

Liang, além disso, defende esta produção porque cria “benefícios econômicos e sociais” com os 300 mil postos de trabalho que gera nas 500 fábricas que se estendem pelo país.

Neste ponto, a tradição milenar dos palitos volta a bater de frente com a saúde e a ecologia, sendo a economia o advogado do diabo. Segundo Liang, a China “ainda não é muito avançada”, os restaurantes pequenos não podem garantir o padrão de saúde e por isso usam os descartáveis.

No entanto, o Greenpece diz que o problema é que estes estabelecimentos não querem enfrentar as despesas de esterilização e que, por isso, não só usam os descartáveis, mas também pratos de plástico e papel.

Fonte: MSN Notícias
Por Eva Garrido
Da Efe

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Ban Ki-moon pede revolução de energia renovável

postado por Alice| janeiro 19th, 2011 |Comentários 0 comentários

Para o secretário-geral da ONU o desenvolvimento de novas tecnologias de geração de eletricidade seria uma das soluções para a mitigação das mudanças climáticas, das desigualdades sociais e até para melhorar questões de saúde pública

Em seu discurso na Conferência Mundial de Energia do Futuro (World Future Energy Summit – WFES-2011), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou para o crescimento do consumo de eletricidade e afirmou que é preciso uma revolução na geração de energia para ajudar a humanidade a enfrentar os grandes problemas atuais.

“Uma revolução global de energia limpa é essencial para minimizar os riscos climáticos, reduzir a pobreza, melhorar a saúde pública e incentivar o crescimento econômico. Enfim, é muito importante para a paz, segurança e saúde do planeta”, declarou Ban ki-moon.

O secretário-geral afirmou que o consumo global de energia deve aumentar em 40% nas próximas duas décadas, com um crescimento ainda mais elevado nas nações em desenvolvimento.

“Investir na economia verde não é simplesmente um luxo que deve ser adotado pelos países ricos. Na realidade é uma oportunidade para a criação de empregos e para o desenvolvimento econômico de todas as nações”, explicou.

Segundo dados da ONU, mais de 1,6 bilhão de pessoas vivem sem acesso à eletricidade. Elas utilizam lenha e carvão para cozinhar e se aquecer, o que é extremamente prejudicial à saúde. Doenças respiratórias relacionadas ao uso desses biocombustíveis tradicionais são responsáveis por mais de dois milhões de mortes por ano, o dobro do que mata a malária, por exemplo.

“Nosso desafio é a transformação. Nós precisamos de uma revolução global de energia limpa. Uma revolução que torne a eletricidade acessível e barata para todos”, conclui Ban Ki-moon.

WFES-2011

O discurso do secretário-geral da ONU abriu a quarta edição Conferência Mundial de Energia do Futuro, que começou nesta segunda-feira (17) em Abu Dhabi.

O evento tem este ano o tema “Possibilitando Soluções Energéticas para o Futuro”. Mais de 600 empresas de 14 países irão realizar apresentações do que há de mais moderno em eficiência energética e fontes renováveis no planeta.

Segundo o Dr Sultan al Jaber, presidente executivo da Masdar, a companhia de energia renovável de Abu Dhabi, os governos deveriam estimular a competição no setor de energia e desenvolver políticas que encorajem a adoção de tecnologias limpas.

“A competição impulsiona a inovação. Nós precisamos catalisar a implementação e o desenvolvimento de uma estrutura regulatória que encoraja o uso de tecnologias limpas”, afirmou.

Porém, al Jaber acredita que os países não podem ainda abandonar os combustíveis fósseis. “A eletricidade deve ter como base um mix de fontes, incluindo tecnologias limpas de carvão, petróleo e gás natural. A energia nuclear também deve ser incentivada”, defende.

Abu Dhabi está desenvolvendo um programa nuclear e também é um dos centros mais avançados em pesquisa de captura e armazenamento de carbono.

China

Em meio aos apelos por mais investimentos em energias renováveis a China divulgou nesta semana que 26% de sua eletricidade gerada em 2010 foi proveniente de fontes limpas. Dados que levam em conta hidroelétricas e usinas nucleares.

De acordo com o Conselho Energético Chinês (CEC), o consumo no país cresceu 14,56% no ano passado passando dos 4,19 trilhões de KWh. Já a capacidade instalada aumentou 10,07% para 962GW.

Hidroelétricas foram responsáveis por 213.4GW desse total, fazendas eólicas por 31.07GW e usinas nucleares por 10,82GW.

Segundo a agência de notícias Xinhua, o crescimento da capacidade instalada das fontes renováveis tornou possível o fechamento de diversas termoelétricas, diminuindo a geração suja em 11GW.
Os planos chineses são de aumentar a capacidade instalada para 1,440GW até 2015, sendo que fontes limpas responderão por ao menos 30% desse total.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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Estados Unidos e China surpreendem em Cancún

postado por Gabriel| dezembro 1st, 2010 |Comentários 0 comentários

Os dois maiores emissores de gases do efeito estufa do planeta desembarcam no México anunciando que passaram as últimas semanas negociando e que um consenso está mais próximo que o esperado.

O chefe da delegação norte-americana na 16ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP16), Jonathan Pershing, revelou que nas últimas semanas foram mantidas conversas com os representantes chineses para discutir os principais pontos de conflito entre os dois países.

“Percebo que houve progressos, agora depende de como a COP irá caminhar”, afirmou Pershing.

A informação foi confirmada por Su Wei, chefe da delegação chinesa, que reconheceu que conversas bilaterais aconteceram.

“Nós tivemos um diálogo franco e aberto com os nossos amigos norte-americanos e posso afirmar que as duas nações desejam o melhor resultado possível para Cancún”, disse Wei.

Essa aproximação inesperada pode representar que a Conferência, que até então se focava em objetivos modestos, poderá ter metas mais ambiciosas, uma vez que o conflito entre EUA e China era tido como o maior obstáculo nas mesas de negociação.

No que já parece um avanço, o representante Chinês Xie Zhenhua afirmou em entrevista para agências internacionais que o país pode rever sua oposição ao monitoramento das medidas de redução de emissões. A China considera esse tipo de controle um ataque a sua soberania.

Os Estados Unidos são irredutíveis na idéia de criar mecanismos de verificação e notificação (reporting and verification mechanisms – MRV), para de maneira independente acompanhar as ações de cada país. Esses mecanismos seriam para os norte-americanos uma parte central de qualquer acordo climático.

“Nós percebemos que no passado realizamos ações de redução e não contamos para ninguém. Agora nós pensamos que se fizermos algo, devemos tornar isso público. O que realizamos, o que não realizamos, que dificuldades temos…estamos dispostos a discutir essas coisas”, afirmou Wei.

O negociador ainda comentou que uma maior transparência poderá fazer com que os outros países dêem mais crédito para as políticas chinesas.

“Esta falta de comunicação que levou no passado a mídia a distorcer nossas políticas e medidas. Se tivéssemos sido mais transparentes isto não teria acontecido. Mas queremos saber com detalhes o que realmente podem vir a ser os mecanismos de monitoramento”, explicou Wei.

Perda de Relevância

A COP16 começou com uma série de discursos que alertaram para os efeitos das mudanças climáticas que já estão visíveis e que todo o modelo de negociações multilaterais internacionais está em risco se a conferência fracassar.

Representantes da Aliança de Pequenos Estados Insulares também discursaram e afirmaram que muitos países estão atravessando o que podem ser as últimas décadas de sua existência a menos que medidas concretas de redução das emissões sejam adotadas.

Já a comissária climática da União Européia, Connie Hedegaard, afirmou que o bloco chega otimista para a COP16, mas teme pela perda de relevância do encontro por causa do pequeno empenho de alguns países importantes, como os EUA.

“A UE está pronta para tomar medidas ambiciosas, mas infelizmente outras grandes economias não estão. Nenhuma nova legislação conseguiu passar pelo Senado norte-americano. É crucial que Cancún termine em progresso, pois se não o processo de negociação sob a ONU perderá força e relevância”, explicou Hedegaard.

A presidente da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (UNFCCC), Christiana Figueres, afirmou que apesar de todos os obstáculos a COP16 pode representar um avanço.

“Os governos precisam provar que o processo intergovernamental pode ter bons resultados. Eles sabem que é possível. Eles sabem que precisam se comprometer. Não estou dizendo que vai ser fácil, mas é possível”, concluiu Figueres.

Video: Abertura da coletiva de imprensa de Christiana Figueres na COP16.
Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais

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China admite pela 1ª vez ser principal emissor de gases-estufa do mundo

postado por enerbio| novembro 24th, 2010 |Comentários 0 comentários

A China reconheceu oficialmente pela primeira vez, nesta terça-feira (23), ter se tornado o principal país do mundo em volume de emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. 

“Ocupamos agora o primeiro lugar mundial em volume de emissões”, disse durante entrevista coletiva, em Pequim, Xie Zhenhua, chefe dos negociadores chineses para as questões climáticas. 

Até agora, as autoridades chinesas não reconheciam abertamente esse dado, estabelecido pela comunidade científica e as organizações internacionais, como a Agência Internacional de Energia (AIE). 

Pequim preferia insistir na necessidade de usar o cálculo do volume de emissões por habitante, segundo o qual a China, com seu 1,3 bilhão de habitantes, ficaria folgadamente atrás dos países desenvolvidos. 

Como sinal de que o tema continua sendo sensível, a declaração de Xie Zhenhua foi censurada da transcrição oficial da coletiva que ele concedeu. 

Representantes de mais de 190 países se reúnem de 29 de novembro a 10 de dezembro, em Cancún (México), para tentar chegar a um acordo para a redução das emissões, um ano depois da Conferência de Copenhague, que fracassou na tentativa de fixar metas concretas para depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto. (Fonte: G1)

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